domingo, 18 de fevereiro de 2007

Diferenças!...














Menino branco, feliz, privilegiado!
Menino negro, faminto, coitado!
Menino branco, de conforto rodeado,
Menino negro em esteiras deitado!
Menino branco, sempre bem cuidado,
Menino negro, dos outros, criado!
Menino branco, na escola estudando,
Menino negro, na lavra, cavando!
Menino branco, nos jardins brincando,
Menino negro, suando! suando!...


LELA
12-3-1976
QUARTEIRA

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Noite na Alma
















Foi-se o dia, e veio a noite!
E neste meu coração se fez noite também
Mais negra que um tição!
Já não há sol, não há luz
Na minha vida vazia!
Não existem mais estrelas
No céu da minha alegria!
Tudo é escuro, tudo é nada!
Já não há mais madrugada
Já não há restea de luz
Na minha vida acabada!
‘ Inda pulsa um coração
Cá, bem no fundo do peito,
Mas não há mais ilusão
Porque o sonho foi desfeito!...
Tudo é escuro, tudo é nada
Na minha vida acabada!!


Ao meu Chico
1-9-1998
ARIMBO

Balada ao nosso Amor
















Dois corações:
Que batem em uníssono,
Na mesma cadência,
Com a mesma veemência,
E desejam, unidos, caminhar.
Que choram e riem juntos;
Que sonham os mesmos sonhos
Olham na mesma direcção
... E cantam a mesma canção!
Isto, é o AMOR!
O Amor que não aceita barreiras;
Fura, e ultrapassa fronteiras,
E, nem a morte,
Tem poder para o calar!
O sentimento mais belo,
Mais puro e mais singelo,
Terno, forte e verdadeiro
Veio, um dia, no meu coração morar.
Um Amor, que foi recíproco,
Que intensamente viveu
Uma grande felicidade!
Hoje, está só!...
Batendo, descompassado
Neste coração, guardado
Sem mais reciprocidade;
Porque o seu par feneceu,
Para sempre se perdeu!
Só um coração bate agora, cansado
Solitário e triste e,
Teimoso, ‘inda persiste
Em sustentar este Amor!
Sonhos, se desvaneceram!
Também risos e canções, que
Juntos, tanto tempo partilharam
Quando eram dois corações!!


Ao CHICO E LELA
22-08-2001
ARIMBO

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Ó minha Angola, como te amo!

























Ó minha Angola, onde eu nasci,

Quantas saudades eu tenho de ti!
Do teu ar quente que me embriaga
E em minha mente, nunca se apaga!
Ó minha Angola, como te amo!
Ó minha terra, por ti eu clamo!
Na minha alma tu estás gravada,
P’ra meu castigo, com um ferro em brasa!
Os meus dias são escuros e tristes;
As minhas noites, longas, sem sono!
Tu me perguntas: porque partiste?
E eu te respondo: não sei, não sei como?!...


LELA
26-6-1976, Quarteira

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Indigo


Há momentos que são pedras….se avizinham a meus pés…
Há momentos que celebram…como astros de viés…
Há momentos que perduram…embora partam para sempre…
E pessoas em ternura…bem cá dentro no meu ventre…
Há momentos que nos dói…quando o tempo nos resgata
Há momentos de herói…em vestes feitas de prata…
Há momentos de nó na garganta…que se cantam como hinos
E se ouvem…e se encantam…como as preces dos meninos…
Há momentos que são asas…no brilhar de um pensamento…
Há subtilezas que nos escapam….e se perdem num momento…
Há certezas que são frutos….de sabor que conhecia…
Há amores que não partem…renascem em mim…cada dia…
Há momentos de doçura, em memória me elevam…são galáxias de expressões…
Esboçam sorrisos…gargalhadas…vivem de recordações…
Há momentos cor Índigo… que vivem contos de fada em mim…
Me transportam em verdes campos…e vales cobertos de alecrim…
Há momentos que são livros, se abrem do meu passado…
Para em esfera de cristal…contorcer o meu enredo…
Há momentos de ponteiro, como de quem aponta o dedo
E se acuse meu receio…de solidão imortal…
Há momentos de saudade…como borras de café…
Queimam negras para gerar…luz…em cantos de oboé…
Há momentos de história…que a semente cultivou…
Para que o tempo em memória…seja véu sobre meu leito
Há momentos de vitória…que se vestem a preceito…
Há momentos que se perdem…e tudo o vento levou…
Há momentos que não voam…nesse vento que abraça…
Há momentos que são lindos…em momentos de desgraça…
Há relações em que se perde….o sentido de uma vida…
Há momentos que são peles…em que a fome é suprimida…
Há luxos que não são meus…não vejo neles seu valor…
Há momentos de distancia…em constante proximidade…
Há momentos em que o frio…se extingue em meu calor…
E neles me deito…e sempre será perfeito….lembrar de ti em saudade…

Em Homenagem à minha velhota
Bruno de São Vicente